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São vândalos os Black Blocs

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Vândalos foram povos tribais nórdicos, expulsos dos seus territórios, que invadiram o Império Romano em busca de um novo espaço geográfico onde pudessem sobreviver, e em 455 conquistaram Roma por várias semanas, saqueando a população local. O trauma dos romanos diante dos abusos cometidos pelos conquistadores reforçou suas versões unilaterais sobre esses povos invasores, e até hoje repetidas, definindo-os como bárbaros dotados de índole agressiva. Como invasores, os vândalos trataram os romanos com a mesma violência cometida pelos exércitos de Roma quando dominaram e colonizaram povos inteiros da Europa e do norte da África. É essa versão romana sobre os vândalos que prevalece atualmente na imprensa, quando notícia o “vandalismo” dos grupos infiltrados nos movimentos urbanos, reivindicando dos governos melhorias públicas. E com esse artifício, o termo vândalo transforma-se em sinônimo de agressão ou selvageria, desrespeitando assim seu conteúdo histórico. Mas antes de adotar esse preconceito, é bom lembrar que a enaltecida civilização romana acumulou riquezas escravizando as populações conquistadas pelo seu exército, e o requinte da sua cultura foi privilégio apenas da nobreza que usufruía dos roubos por ela praticados nas colônias escravizadas, pois no auge do império romano a maioria da população romana era formada por escravos. Ou seja, os refinados nobres romanos foram também bárbaros agressores. Ao repetir a versão romana sobre a violência dos bárbaros e negligenciar a violência da civilizada Roma, a nossa imprensa acentua a violência dos “vândalos” contra as respeitáveis agências bancárias, mas oculta a violência do sistema bancário que explora legalmente a população cobrando juros de agiotas. Ou seja, repete o moralismo maniqueísta da eterna luta do bem contra o mal, ou do progresso contra o caos. Denominar vândalos os segmentos mais agressivos dos protestos populares pacíficos e isentar as corporações dominantes da sua responsabilidade por essas manifestações é um lamentável equívoco histórico. Vândalos foram um povo, uma coletividade, enquanto os chamados vândalos inseridos nos protestos urbanos são apenas segmentos ainda indefinidos da nossa sociedade. Vândalos antigos e vândalos modernos atuam em contextos históricos diferenciados e as motivações de suas respectivas violências não se equivalem. Ruim a original interpretação de Roma sobre os povos vândalos, pior a adesão apressada da imprensa brasileira a essa interpretação, pois inseri-la no contexto atual agrega o termo vândalo a outros inúmeros símbolos dos nossos preconceitos, como chamar pejorativamente de judeu, índio, favelado, bicha, preto, drogado a quem não aceitamos por não pertencer ao nosso segmento social, econômico, cultural, étnico ou religioso. Falta à imprensa uma definição sociológica mais transparente sobre esses jovens desesperados que usam a violência nos protestos de rua. Sem essa identificação, prevalece o preconceito coletivo, como resultado de uma opinião pública mal formada por uma imprensa substanciosa ao informar, mas limitada quando comenta.

 
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