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Quem é o pai dos pobres?

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   Os lulistas pretenderam transformar Lula na segunda edição do Pai dos Pobres, pois o primeiro Pai dos Pobres brasileiros foi Getúlio Vargas, líder gaúcho da Revolução de 24 de outubro de 1930, que derrubou o presidente Washington Luís e impediu a posse do seu sucessor, Júlio Prestes. Foi um golpe de Estado tramado pelos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, cujos líderes não aceitaram a vitória de Júlio Prestes, apoiado por São Paulo, pois consideraram aquela eleição presidencial fraudulenta. Getúlio pertencia à oligarquia agrária do Rio Grande do Sul, descontente com a política do café com leite dos presidentes eleitos na fase da República Velha, que alternava na presidência políticos paulistas e mineiros. Quando em 1929 essa aliança entre São Paulo e Minas rompeu-se, Minas, Paraíba e Rio Grande do Sul lançaram uma candidatura presidencial alternativa à liderada por São Paulo. Derrotados, apelaram para o golpe que gerou os 15 anos de governo de Getúlio (1930 a 1945). No poder, Getúlio representava os interesses econômicos das oligarquias agrárias daqueles três estados líderes do golpe armado, mas, ao governar, deparou com uma realidade econômica mais complexa, estimulada pelo crescimento da economia urbana e industrial, concentrada em importantes cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Compreendeu, então, que para governar precisaria apoiar o crescente setor industrial, relegado pela política do café com leite. Getúlio facilitou a vida dos industriais, ao promover uma política desenvolvimentista, que motivou o apoio desse segmento social ao seu governo, protegendo-o dos ataques das oligarquias insatisfeitas com essa estratégia getulista. Mas, visionário e pragmático, Getúlio percebeu que o frágil capitalismo brasileiro precisava expandir-se internamente estimulando a capacidade de consumo da população. Movido por esta estratégia, Getúlio removeu a caótica situação trabalhista do operariado brasileiro, criando leis que regulamentaram suas condições de trabalho, como o salário mínimo e a CLT, que proporcionaram uma relativa segurança empregatícia para o assalariado. Estas reformas transformaram Getúlio em Pai dos Pobres na visão dos assalariados brasileiros. Inspirados nessa tradição getulista, os lulistas pretenderam colar Lula na imagem de Getúlio, mas com reduzido sucesso, pois o líder metalúrgico, embora carismático, não despertou na classe trabalhadora a mesma devoção dedicada ao líder da Revolução de 1930. Getúlio foi um estadista experiente, e atuou em um período histórico de transformações estruturais na economia brasileira, que facilitou aceitação de suas leis trabalhistas em um meio social desprovido de qualquer legislação favorável ao assalariado. Lula tem uma cultura política elementar,aprendida durante as greves que liderou no ABC e nas conversas com intelectuais esquerdistas. Sua imagem de líder socialista foi forjada pelos seus áulicos das esquerdas, carentes de uma liderança, mesmo imaginária e idealizada, capaz de manter viva a esperança de implantar o socialismo no Brasil. Mas nem Getúlio nem Lula são os Pais dos Pobres. Este título paterno pertence a todos nós, assalariados pobres e geradores de filhos pobres, igualmente futuros assalariados, frutos da nossa imprevisão procriadora, e vítimas do padrasto capitalismo brasileiro. É a roda viva da qual raros viventes escapam ilesos.

 
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