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Primeiro o céu, depois o inferno

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Dante escreveu a Divina Comédia descrevendo primeiro os horrores do inferno, para depois chegar às harmonias do céu. Neste artigo inverto este trajeto, e comento primeiro as belezas da literatura, para depois analisar as safadezas da política nacional. Ou seja, do céu desço ao inferno.
A literatura é rica em analisar as misérias e grandezas humanas, através de personagens dramáticas, expressões literárias dessas nossas bipolares tendências herdadas das mais antigas civilizações. A grandeza trágica de personagens como Ulisses, Édipo, Antígona, Dom Quixote, Hamlet, Fausto, Bovary, Quincas Borba, Policarpo Quaresma, Augusto Matraga, Diadorim conduzem todos eles a uma vida heroica, e a um fim inevitavelmente trágico. A tragédia é o destino do herói. E como não há tragédia sem o vilão da história, nos romances há os personagens que se atolam na desprezível vida degradada. E assim, a galeria dos justiceiros da injustiça é também repleta de representantes, como Creonte, Iago, Claudio, capitão Ahab, Frankenstein, capitão Gancho e Hermógenes.
Como a literatura é a expressão artística e ideológica de um determinado período histórico, as grandezas e as misérias dos políticos brasileiros são temas recorrentes dos principais romancistas nacionais, como Machado de Assis, Lima Barreto e Graciliano Ramos, que revelam com realismo as dolorosas cicatrizes da política brasileira, diariamente relatadas na imprensa contemporânea. Entre as mais recentes dessas ofensas, a última é a trágica comédia protagonizada pela oposição liderada pelo PSDB, perdedor das últimas eleições presidenciais. Diante do descrédito da presidente Dilma, pretendem patrocinar um golpe de estado, afastando-a da presidência através do impeachment, obtido com o voto da maioria do Congresso, e assim forçar uma nova eleição presidencial. E supondo-se hábeis articuladores, os políticos do PSDB aliaram-se ao esperto deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara e adversário declarado de Dilma, visando iniciar no Congresso a deposição da presidente. A articulação, que incluí a preservação da ameaçada carreira parlamentar do presidente da Câmara, foi bem sucedida até que ampliaram as suspeitas de que Cunha tem conta secreta em um banco suíço, proveniente do seu alegado envolvimento no escândalo da Petrobrás. Enfraquecido e questionado pelo PSOL, que pede sua destituição da presidência da Câmara,Cunha esqueceu suas divergências com o PT e Dilma, e começou a articular com o governo uma aliança política mais confiável para ele, que visa impedir tanto o avanço do pedido do impeachment de Dilma, como a sua destituição da presidência da Câmara. E se este conchavo político estiver consistente, Cunha abandona seus antigos aliados do PSDB e alia-se ao grupo palaciano, seu declarado adversário. Difícil saber qual será e quando acontecerá o desfecho dessa tragédia, mas essa incógnita não evita a conclusão de que os envolvidos nessas tramas são todos farinha do mesmo saco, e não há inocentes nessas pedaladas. Todas estas articulações no Congresso são degradantes manobras de poder que só interessam aos políticos envolvidos, mas abandonam o povo brasileiro no meio de uma profunda crise econômica, que prejudica principalmente os assalariados. Tal deboche dos políticos coloca-os bem abaixo da degradação dos mais desprezíveis personagens da literatura, e por sua mesquinhez jamais serão expressões literárias, heróis ou vilões. Surgem nas colunas políticas dos jornais porque são políticos eleitos pelos seus iludidos eleitores, mas deveriam pertencer exclusivamente às páginas de humor ou investigativas.

 
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