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Por que votam naquela gente?

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Herdeiros da tradição política brasileira do “com jeitinho todos mamam na teta do Estado”, muitos dos atuais políticos lá de cima exageram tanto na prática desse mandamento, e cometem tantos pecados, que dificilmente ingressarão no reino fervente localizado logo abaixo do purgatório. E se aceitá-los no inferno, os dirigentes daquele reino precisarão reservar um salão de isolamento para os políticos de Brasília, para evitar que eles corrompam os demais penitentes, e estes cometam pecados maiores e desconhecidos na rígida legislação infernal. Mas por que os ingênuos eleitores continuam votando nesses políticos? Só pode ser por castigo do Destino, que já inspirou poetas como Joaquim Osório Duque Estrada, autor  do Hino Nacional, a exaltar o Brasil “deitado eternamente em berço esplêndido.” Ou o poeta Olavo Bilac a versejar esta ambiguidade: “-Criança! Não verás nenhum país como este!” Ou o humorista Elias Murad a detonar:  “-O Brasil só cresce à noite, quando os políticos dormem.” Ou a profética obra de Stefan Zweig, Brasil, País do Futuro, escrita na metade do século passado. E o Brasil continua sendo o país do futuro, deitado eternamente no berço esplêndido, progredindo só à noite e que nenhuma criança nunca viu igual.  Sendo assim, a cada nova eleição, cai o nível de decência da maioria dos eleitos porque o Destino conduz o eleitor a votar errado para cumprir o seu mandamento. Já tivemos momentos brilhantes na história política do Brasil, como na época da abolição dos escravos, durante a agitação republicana, na campanha civilista, na luta contra a ditadura militar, que inspiraram políticos honrados e comprometidos com as causas populares. Mas estes períodos áureos da política nacional são exceções, descuidos do Destino, que teima em corrigi-los, trocando-os por longas fases de compromissos políticos espúrios, como é o atual. Políticos comprometidos com a coletividade, como os ex-senadores Pedro Simon e Eduardo Suplicy não foram reeleitos, sobrando agora a dignidade solitária dos deputados Chico Alencar e Jarbas Vasconcelos na Câmara Federal, acompanhados por algumas expressões mais apagadas, que mantêm viva a memória dos seus brilhantes antecessores. Mas a vida de Chico e de Jarbas não é nada fácil naquele recinto, pois, como já ocorria com Pedro e Eduardo, da tribuna esses deputados exigem decência dos parlamentares oportunistas, mas quando terminam seus inflamados discursos, retorna a apatia geral no plenário,  e os seus pares fingem-se de surdos diante daquelas acusações. E apesar de sua corajosa atuação como parlamentar, Chico Alencar está em um partido político com pouquíssimos deputados, pois seu eleitorado pertence à minoria dos eleitores mais conscientes da sociedade brasileira. Diante de tamanha apatia política da maioria dos eleitores perante essa profunda crise de representação parlamentar, não há sociólogo ou analista político capaz de explicar esse diapasão entre o corporativismo corrompido dos políticos e a tolerância da coletividade prejudicada, que vota nos candidatos menos competentes. Quando ouço os solitários discursos de Chico Alencar, quero acreditar na evangélica parábola da missão das minorias como o Sal da Terra, mas perante o panorama eleitoral brasileiro, afasto-me do otimismo dessa mensagem, e pergunto: - Por que votam naquela gente? Será a confirmação do futuro deste dorminhoco país?

 
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