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Home Colunas O Pensador De onde saem os escritores?

De onde saem os escritores?

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Sou dos tempos quando a escola estimulava o ensino de Literatura, embora com critérios restritos pelo conservadorismo predominante naquela época. Como as demais disciplinas escolares, a Literatura deveria estimular o civismo entre os alunos, e para atingir este objetivo excluía-se a parcela substancial dos autores considerados refratários a essa conclamação. Por esta razão de Estado, Jorge amado, Graciliano Ramos, Cassandra Rios, Pablo Neruda, Jean Paul Sartre, Marques de Sade, e uma lista considerável de literatos não entrava nos programas de ensino de Literatura. Mas sobrava muito autor qualificado para ser lido, e os alunos tinham uma razoável formação literária. Estimulado por alguns lúcidos professores, tive acesso a essa literatura proibida pela escola, e reconheço sua importância fundamental para o meu conhecimento dos paradoxos da existência. E como professor de História, descobri a importância da Literatura para quem deseja saber um pouco –e este pouco exige dedicação integral pela vida toda- desse campo do conhecimento para a compreensão da evolução das civilizações. E ao afirmar que este esforço de conhecimento é um projeto de vida, recordo-me de que despertei para a Literatura quando aprendi a ler, impulsionado pela minha família, que incentivou minhas leituras de autores infantis. A Literatura infantil, quando lida por uma criança, é o fator essencial para o seu desenvolvimento afetivo e intelectual, e até hoje cultuo sua contribuição para meu desenvolvimento, lendo os clássicos desse gênero literário: de Esopo a Monteiro Lobato. E para o adulto, essa leitura continua uma aventura deslumbrante, pois integra-nos nesses mundos ocultos ao nosso cotidiano, que reivindicam a felicidade humana.
Por conservar este encantamento da vida, angustio-me quando verifico que nas sucessivas reformas educacionais, o ensino de Literatura nas escolas é secundário para os chamados especialistas em educação, que teimam em priorizar o ensino das técnicas gramaticais como um fim em si mesmo, e nas provas semestrais nas escolas ou nos vestibulares a prioridade é avaliar as habilidades do aluno para reconhecer se uma frase requer o uso da próclise ou da mesóclise. Reconheço que o conhecimento da gramática é importante para a estrutura da leitura e a compreensão de um texto. Mas e a avaliação da Literatura onde a encontramos? Aparece tímida e isolada em uma ou duas questões marginais das provas escolares. Os membros da Academia Brasileira de Letras lamentam esse desestímulo das escolas em relação à Literatura, pois esses senhores sabem do que estão lamentando. Mas os chamados especialistas em educação não entendem as razões desse lamento, pois provavelmente faltou-lhes na infância e na juventude o estímulo à leitura das obras literárias, ou se leram pouco entenderam da importância de inserir os estudantes nesse mundo que os gramáticos sabem de sua existência, mas pouco penetraram em suas aventuras. Os bons mestres da literatura estão enclausurados nesse criativo mundo literário porque os especialistas em educação positivistas e comportamentalistas dominam os centros de decisão sobre os rumos da educação. Enquanto predominar essa mentalidade nos sistemas educacionais, a Literatura será um mundo estranho para nossos alunos, acessível apenas aos raros estudantes rebeldes e incontroláveis. É desta tribo rebelde que saem os escritores. E quem pretender encontrá-los, não se dirija às salas de aula, pois preferencialmente eles estão soberbos no ambiente mais estimulante das escolas: -as bibliotecas.

 
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